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Com 173 baleias avistadas em um único dia, Unidade de Conservação mais visitada do Brasil fica em SC e tem área ameaçada

A APA da Baleia Franca registra 173 avistamentos de baleias em um único dia.

Sergio Marques
Com 173 baleias avistadas em um único dia, Unidade de Conservação mais visitada do Brasil fica em SC e tem área ameaçada

Importância da APA da Baleia Franca

Localizada em Santa Catarina, a Área de Proteção Ambiental (APA) da Baleia Franca foi criada há 26 anos com o intuito de proteger a baleia-franca-austral (Eubalaena australis), uma espécie que quase desapareceu devido à caça intensiva. Esta unidade de conservação compreende 156 mil hectares e uma costa de aproximadamente 130 quilômetros, que se estende entre Florianópolis e Balneário Rincão. Com o crescimento dos avistamentos, a APA se destaca como o destino mais visitado para observação das baleias no Brasil, unindo esforços de conservação e turismo. A localização e a importância ecológica fazem da APA um espaço vital tanto para as baleias quanto para a economia local, estimulando o ecoturismo sem comprometer o habitat natural.

Números impressionantes de avistamentos

Recentemente, a APA da Baleia Franca registrou um número notável de avistamentos: em agosto de 2026, foram contabilizadas 173 baleias em um único dia, de acordo com o Instituto Australis. Este registro inclui a observação de 98 baleias só na localidade de Imbituba, uma área privilegiada para o avistamento. Este crescimento no número de avistamentos é um indicativo do sucesso das iniciativas de preservação da espécie e atrai cada vez mais visitantes, com mais de nove milhões de pessoas visitando a região em 2025.

Turismo e conservação em harmonia

O modelo de turismo na APA da Baleia Franca gira em torno da observação das baleias a partir de pontos fixos, como praias e trilhas, ao invés de barcos, estratégia que protege os hábitos e a vida das baleias durante a temporada reprodutiva. Essa abordagem minimiza o impacto humano e promove uma experiência que respeita a natureza, educando os visitantes sobre a importância da conservação. A conservação e o turismo no local andam de mãos dadas, evidenciando como a exploração sustentável pode ser benéfica tanto para o meio ambiente quanto para a economia local.

A história da proteção das baleias

A história de conservação das baleias na APA da Baleia Franca é marcada pela preocupação com a queda populacional da espécie. Após décadas de caça, a criação da APA visou proteger os habitats usados pelas baleias para reprodução e cuidados com seus filhotes. Nas décadas de 1970 a 1980, não houve registros de baleias fracas na costa brasileira, mas os esforços de conservação ao longo dos anos resultaram numa população estimada de 800 indivíduos atualmente, com um crescimento médio de 4,8% ao ano. Esta recuperação serve como um modelo de sucesso em iniciativas de conservação marinha.

Impactos de projetos de lei sobre a APA

Atualmente, a APA da Baleia Franca enfrenta desafios legislativos, já que um projeto em tramitação na Câmara dos Deputados propõe a redução de aproximadamente 34 mil hectares de seu território, o que representa quase 20% da área protegida. Este projeto, se aprovado, poderá afetar negativamente tanto a biodiversidade local quanto os esforços de conservação. Os defensores da proposta argumentam que isso garantirá segurança jurídica a residentes de áreas urbanizadas antes da criação da APA, mas ambientalistas alertam para os riscos de comprometer a proteção dos habitats.

Crescimento da população de baleias

O monitoramento da população de baleias-francas-austrais pelo Instituto Australis fornece dados valiosos sobre o sucesso das políticas de conservação. A taxa de crescimento de 4,8% ao ano ressalta a eficácia das medidas implementadas para proteger a espécie. Os avistamentos frequentes e o reestabelecimento das populações são sinais de que as intervenções na gestão da APA têm sido produtivas. Esse crescimento não só beneficia a biodiversidade, mas também o setor de turismo local, que se aproveita do aumento do interesse por observação de baleias.

Modelos de turismo sustentável

O turismo em Santa Catarina segue um modelo de turismo sustentável que prioriza a conscientização dos consumidores sobre práticas ecológicas. As atividades de observação de baleias não incluem embarcações, permitindo que as pessoas apreciem esses magníficos animais sem perturbar seu comportamento natural. Assim, a APA promove um turismo que educa os visitantes sobre a importância da preservação ambiental. Essa experiência se torna não apenas um atrativo turístico, mas também um forte instrumento de educação ambiental.

Desafios enfrentados pela APA

Enquanto a APA da Baleia Franca se destaca como um modelo de conservação, enfrenta vários desafios, incluindo propostas que podem comprometer sua integridade. O avanço da urbanização e a pressão para o desenvolvimento econômico sustentável entram em conflito com as metas de conservação. Ambientalistas alertam sobre riscos como aumento da especulação imobiliária e a possibilidade de danos irreversíveis ao ecossistema.

Atividades de observação de baleias

As atividades de observação de baleias oferecem experiências únicas, proporcionando aos visitantes a chance de ver esses majestosos mamíferos em seu habitat natural. Além da observação em terra, as atividades incluem trilhas guiadas e educação ambiental, reforçando o compromisso com a conservação. A interação com a fauna local através do aprendizado sobre suas características e comportamentos contribui para a apreciação das baleias e a valorização do ecossistema marinho, tornando a APA um exemplo de um destino turístico que alia educação, preservação e valorização da natureza.

Futuro da conservação em Santa Catarina

O futuro da conservação em Santa Catarina dependerá de um equilíbrio entre conservação ambiental e desenvolvimento econômico. Iniciativas de preservação, como a APA da Baleia Franca, podem servir como exemplo de que a conservação bem-sucedida pode trazer benefícios econômicos significativos por meio do ecoturismo. As discussões atuais e os projetos propostos devem ser cuidadosamente avaliados para garantir que a proteção dos recursos naturais permaneça uma prioridade, garantindo assim a sobrevivência da baleia-franca-austral e a saúde dos ecossistemas marinhos no Brasil.

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Autor
Sergio Marques

Sergio Marques

Técnico em guia de turismo; Estudante de Jornalismo, editor e revisor.

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